O impacto do CONSERVAL nas indústrias de conservas na Galiza e Norte de Portugal

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O projeto CONSERVAL pretende conhecer em primeira-mão a situação atual da indústria de transformação de produtos marinhos, em relação à gestão dos subprodutos e efluentes, para ver o potencial de transferência para o setor dos melhoramentos propostos no âmbito do projeto. Os resultados esperados, ao longo dos três anos de execução do projeto, permitirão que o setor conte com novas tecnologias para conseguir, não só um melhoramento da competitividade e uma clara diferenciação para enfrentar os desafios do futuro, mas também melhorar a sustentabilidade mediante o aproveitamento de recursos. Os objetivos do projeto estão muito alinhados com a nova proposta de horizonte 2020-2030 da Xunta de Galicia em economia circular.

Na primeira atividade do projeto pretende-se conseguir uma fotografia atual do setor transformador, em termos de aproveitamento de subprodutos e águas, dependendo da tipologia das matérias-primas processadas (túmidos, mexilhão, cefalópodes, sardinha, etc.), do tamanho da empresa (grande, média, pequena) e do produto transformado (produto em conserva, congelado, fresco, pré-cozinhado). Para tal, foram elaborados questionários a que as empresas estão a responder, e cuja análise permitirá que se vejam diferenças quando se trata de abordar os desafios e eventuais interesses de empresas particulares ou promover uniões das próprias empresas, por proximidade, que sejam ótimas para se alcançarem modelos viáveis de gestão e valorização derivados dos resultados do projeto. O mapa setorial resultante desta atividade servirá de ajuda para estas implementações.

Atualmente, tanto no caso dos subprodutos como no dos efluentes, é difícil conseguir-se uma gestão integral dado que, por um lado, não se faz uma implementação segregada de recolha destas correntes e, por outro, ambos os substratos têm diferentes características, dependendo da matéria-prima e do processo, o que incide num aproveitamento ineficaz do seu potencial, inclusivamente em empresas de grande dimensão, reduzindo assim a produtividade de potenciais processos de valorização.

Mas as águas residuais da minha empresa ou os subprodutos têm algum valor acrescentado para a mesma? Podem-se questionar os responsáveis pelas empresas do setor. A resposta é SIM! Ambos são considerados como “matérias-primas” do projeto e contêm substâncias de interesse como açúcares, gorduras ou proteínas que são suscetíveis de serem recuperadas pelas suas múltiplas aplicações, tais como precursores de bioálcoois, biopolímeros, bioplásticos, aditivos ou novos ingredientes de forragens de aquicultura. Este novo enfoque de recuperação e bioprodução contemplado no projeto CONSERVAL e alinhado com as diretrizes da bioeconomia, promovendo empresas circulares e mais sustentáveis, permitiria a redução do impacto ambiental dos processos agroalimentares. Esta nova visão de negócio permitirá que o setor se posicione como um ambiente produtivo mais eficiente, não só pela diversificação dos produtos que podem chegar ao mercado, mas também pelo melhoramento da qualidade das descargas e pela gestão de subprodutos, permitindo assim que se reduza claramente o impacto ambiental e se evite o esgotamento e uso insustentável de recursos naturais.

Atualmente está a aumentar entre os consumidores a preocupação com o impacto ambiental dos produtos que adquirem (através da pegada de carbono ou da pegada hídrica). Com a obtenção no projeto de produtos que permitem que se fechem ciclos de produção sustentáveis a partir dos atualmente considerados “resíduos”, permitir-se-ia que este setor que fizesse um aceno à sustentabilidade.